- Eu sei. - ela falou, a voz
rouca com as lágrimas contidas.
Ela
envolveu os ombros fortes com os braços e segurou-o com firmeza. Para sua
surpresa, ele apoiou a face na sua. Nenhum deles disse uma palavra enquanto se abraçavam.
Por fim, Arthur afastou-se.
- É melhor pararmos antes
de...
Ele
não terminou a frase, mas não era necessário. Lua já vira as consequências e
não desejava que aquilo se repetisse. Deixou-o no banheiro e foi se vestir.
Arthur
levantou-se lentamente da banheira e se enxugou. Ouviu Lua no quarto, abrindo a
porta do armário, e uma imagem do corpo nu surgiu em sua mente. Uma onda de
desejo o percorreu com tanta força que quase o envio de novo ao chão. Apoiou-se
na pia, lutando consigo mesmo.
- Não posso mais viver
assim. - ele sussurrou. - Não sou um animal.
Olhando
para cima, viu seu pai no espelho. Examinou o próprio reflexo, odiando-o. Ainda
sentia a ferroada do chicote, enquanto seu pai o espancava até que mal
conseguisse permanecer em pé.
"Não ouse chorar,
menino bonito. Nem uma única queixa. Você pode ter nascido de uma deusa, mas é
neste mundo que vive, e aqui nós não mimamos menininhos bonitos como
você."
Ele
se lembrava do olhar de ódio no rosto do pai, quando ele o derrubava no chão e
mantinha seu pescoço preso em um golpe sufocante. Arthur chutava e lutava, mas,
aos 14 anos, era jovem e inexperiente demais para soltar-se dos braços do
comandante. Com o rosto contorcido pelo desprezo, seu pai tinha arrastado a
adaga por sua face, cortando-a. Tudo porque tinha surpreendido a esposa fitando
Arthur durante a refeição.
"Vamos ver se ela o
desejará agora."
A
dor pulsante do corte fora insuportável, o sangue escorrera por seu rosto pelo
restante do dia. Na manhã seguinte, a ferida desvanecera sem deixar vestígios. A
fúria do pai fora incomensurável.
- Arthur?
Sobressaltou-se
ao ouvir uma voz que não escutava havia mais de dois mil anos.
Olhou
ao redor, mas não viu nada. Incerto quanto a ter escutado algo, indagou
baixinho:
- Atena?
Continua...

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