Lua sentia que havia algo errado enquanto dirigia até o bairro francês.
Arthur estava sentando ao seu lado, olhando para fora. Tentara várias
vezes fazê-lo falar, mas ele permanecia mudo. Tudo o que podia imaginar era que
ele estava deprimido por causa do que acontecera no banheiro.
Devia ser difícil para um homem acostumado a estar no controle perdê-lo
daquela forma.
Ela estacionou o carro.
- Nossa, que calor! - exclamou ao sair, sendo imediatamente atingida
pelo ar quente e pesado.
Olhou para Arthur, que estava deslumbrante com os óculos de sol que lhe
comprara. Ele já começara a suar.
- Está muito calor aqui fora para você? - indagou, pensando em como
devia estar sendo horrível para ele, que estava vestido com jeans e uma camisa
de malha.
- Não vou morrer disso, se é o que quer dizer. - ele respondeu
sardonicamente.
- Um pouquinho irritado, não é?
- Desculpe. - Uniu-se a ela. - Estou descontando em você coisas que não
são culpa sua.
- Tudo bem. Estou acostumada a servir de bode expiatório. Na verdade,
fiz disso uma profissão.
Como não podia ver seus olhos, não soube dizer se ele se divertiu ou não
com seu comentário.
- É isso o que seus pacientes fazem?
Ela assentiu.
- Alguns dias, a coisa fica realmente ruim. Eu não me importo com as
mulheres gritando comigo, como me importo com os homens.
- Eles já a machucaram?
O tom protetor na voz dele surpreendeu-a. E a sensação era maravilhosa.
Sentia falta de ter alguém que a protegesse.
- Não. - ela respondeu, tentando ignorar a tensão no corpo de Arthur.
Esperava que as coisas permanecessem daquele jeito. Porém, após o
telefonema de Rodney, não tinha certeza de que o homem não pudesse ser a
exceção que a acabasse ferindo.
Você está sendo ridícula. Só porque ele é assustador não significa que
seja perigoso.
O rosto de Arthur estava duro e severo.
- Acho que você deveria encontrar uma nova ocupação.
Continua...

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