terça-feira, 28 de março de 2017

Amante da fantasia - Cap.114

Lua reparou no tom estranho da voz de Arthur. Tentando imaginar a aparência dele ao segurar o escudo, ela o puxou para mais perto.


- Kyrian? O homem que foi crucificado?


- Sim.


- Você gostava muito dele, não é?


Ele deu um sorriso triste.


- Levou algum tempo para isso acontecer. Quando eu tinha vinte e três anos, o tio dele o designou para servir sob o meu comando, com um aviso preciso do que aconteceria comigo se eu deixasse Sua Alteza ser ferido.


- Ele era um príncipe?


Arthur assentiu.


- E ele era realmente destemido. Mal completara vinte anos e lançava-se impulsivamente em batalhas ou lutas, desafiando qualquer um a feri-lo. Parecia que, a cada vez em que eu me virava, eu o arrancava de algum percalço bizarro. Mas era difícil odiá-lo. Apesar do jeito impetuoso, ele tinha um grande senso de humor e era extremamente leal. - Ele passou a mão pelo escudo. - Eu só gostaria de ter estado lá para salvá-lo dos romanos.


Lua esfregou-lhe o braço solidariamente.


- Tenho certeza de que vocês dois poderiam ter enfrentado qualquer coisa juntos.


As palavras provocaram um brilho no olhar de Arthur.


- Quando nossos exércitos marchavam juntos, éramos invencíveis. - Sua mandíbula flexionou-se ao olhar para ela. - Era uma questão de tempo até Roma ser nossa.


- Por que vocês dois queriam tanto Roma?


- Eu jurei destruir Roma depois que os romanos tomaram Prymaria. Kyrian e eu tínhamos sido chamados, mas, quando chegamos lá, era tarde demais. Eles haviam friamente arrebanhado mulheres e crianças na cidade e matado cada uma delas. Eu nunca tinha visto tamanho massacre. - Seus olhos se escureceram. - Enquanto tentávamos enterrar os mortos, os romanos nos emboscaram.


Lua gelou ao ouvir aquilo.


- O que aconteceu?


- Eu havia derrotado Lívio e estava prestes a matá-lo, quando Príapo interferiu. Ele lançou um raio em meu cavalo e eu fui atirado até os romanos. Eu tive certeza de que era um homem morto. Então, do nada, Kyrian apareceu. Ele afastou Lívio até que eu conseguisse me reerguer. Lívio bateu em retirada e sumiu antes que conseguíssemos matá-lo.


Arthur estava atrás dela, tão próximo que podia sentir o calor do corpo forte. Ele apoiou um braço de cada lado seu no colchão e pressionou o peito contra as costas dela.


Lua cerrou os dentes diante da ferocidade do desejo que sentiu. Mesmo sem abraçá-la, ele perturbava todos os seus sentidos.


Inclinando a cabeça, Arthur tocou-a no pescoço com os lábios, disparando os hormônios em seu organismo. Ela arqueou as costas.


Se não o interrompesse...


- Arthur. - sussurrou, mas sua voz não continha o tom de aviso que ela pretendera.


- Eu sei. - ele murmurou. - Estou indo tomar um banho frio.


Ao sair do quarto, ela o ouviu resmungar, zangado: Sozinho.




Continua....

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