– Por quê? Por que temos que ser discretos? Você viu o
sangue saindo da boca do Arthur? A perna esmagada?
– Arthur é especial – afirmou mamãe, sacudindo meus ombros
um pouco, como se eu devesse ter percebido esse fato um milhão de anos antes. –
Aceite isso, Roberta. Ele não estaria seguro num hospital.
– E está seguro aqui? Na nossa sala de jantar?
Mamãe soltou meus ombros e esfregou os olhos. Percebi que
ela devia estar cansada.
– É, Roberta. Mais seguro.
– Mas ele está com hemorragia. Até eu sei disso.
Provavelmente precisa de sangue.
Mamãe me olhou de um jeito estranho, como se eu tivesse
compreendido uma verdade importante.
– É, Rô. Ele precisa de sangue.
– Então leva Arthur para o hospital, por favor.
Mamãe me encarou por um longo momento.
– Roberta, há coisas sobre Arthur que a maioria dos médicos
não entenderia. Podemos
conversar sobre isso mais tarde, mas agora preciso voltar para cuidar dele. Por
favor, suba e tente ser paciente. Falarei com você assim que tiver novidades
sobre o estado dele.
Dando as costas para mim, mamãe abriu a porta da sala de
jantar e escutei vozes fracas vindas de dentro do cômodo escuro. A voz do meu
pai. Do Dr. Zsoldos.
Mamãe entrou para se juntar à conspiração secreta e fechou a
porta.
Continua...

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