Ele franziu o cenho.
- Por quê?
- Não tenho ideia. - Lua também franziu a testa ao pensar no assunto. -
Não sei por que alguém iria querer meu arquivo de contatos. Desde que comprei o
palm top na última primavera, nem o uso mais. É esquisito.
- Precisamos ir embora?
- Não.
Arthur deixou que ela o conduzisse pelos vários tanques, lendo a escrita
estranha para ele, e explicando as diferentes espécies e hábitats.
Deus, como adorava o som da voz de Lua quando lia para ele! Havia algo
reconfortante nela.
Envolveu-a pelos ombros enquanto caminhavam. Ela passou um braço ao
redor de sua cintura, enganchando um dedo no passante de sua calça. O gesto
agradou-o.
Foi então que percebeu como era fundamental para ele a sensação do corpo
macio junto ao seu. O que, é claro, apreciaria muito mais se ambos estivessem
nus.
Quando Lua sorriu, sentiu o coração acelerar.
O que havia a respeito daquela mulher que o tocava de uma forma que
ninguém jamais fizera? Ele sabia.
Era a primeira mulher a enxergá-lo. Não sua aparência, ou sua bravura de
guerreiro. Ela enxergava sua alma.
Nunca imaginara que existisse uma pessoa assim. Lua o tratava como um
amigo. E estava genuinamente interessada em ajudá-lo. Ou ao menos parecia
estar. Faz parte do trabalho dela.
Fazia mesmo? Poderia uma mulher maravilhosa e gentil como ela realmente
importar-se com um homem como ele?
Lua parou diante de outra placa. Arthur posicionou-se atrás dela e
abraçou-a. Conforme lia, ela acariciava distraidamente seus antebraços. Com o
corpo em chamas, ele apoiou o queixo no topo da cabeça de Lua enquanto escutava
a voz suave e observava os peixes nadando.
O aroma da pele macia dominou seus sentidos, fazendo-o desejar voltar
para casa, onde poderia despi-la. Não se lembrava da última vez em que desejara
tanto uma mulher quanto desejava Lua.
Na verdade, achava que nunca quisera alguém com tamanha intensidade.
Queria perder-se no interior daquele corpo feminino. Sentir as unhas
marcando suas costas enquanto lhe arrancava gritos de prazer. Que as Parcas
tivessem piedade dele, mas estava louco por Lua!
Era isso o que o assustava. Com o lugar que ela ocupava em seu íntimo,
poderia magoá-lo como nunca fora magoado antes. Ela, sozinha, poderia
finalmente destruí-lo.
Continua...

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