quinta-feira, 30 de março de 2017
A Bela e A Fera - Cap. 8
— Pesadelos, Srta. Blanco.
— Pode me chamar de Lua .. E acho que está enganando a si mesmo.
— Não sabe nada a meu respeito, bela — zombou ele. Ela largou a espátula sobre o balcão, num gesto brusco.
— Tem razão, não sei. Assim como não sabe nada a meu respeito... fera. — Virando-se para o fogão, tirou a assadeira com os biscoitos prontos, colocando outra no lugar. Fechando os olhos, tentou, em vão, afastar as lembranças dolorosas. Bela... Rainha de beleza. De que lhe adiantara isso, se não tinha sequer conseguido manter o noivo, pensou, cerrando os punhos.
Arthur endireitou-se, imaginando por que estaria tão perturbada.
— Lua...
O nome foi pronunciado num tom rouco, sensual, oferecendo uma simpatia que ela não desejava. Os homens, as pessoas, em geral, notavam-lhe primeiro o rosto. Era natural. E Arthur era um homem o que mais poderia esperar?
— Desculpe-me — disse Lua. — Fui muito cruel. Arthur já ouvira coisas piores.
— Deixei você furiosa. Diga por que.
— Não é nada. — Ela continuava arrumando os biscoitos, embalando-os em sacos plásticos.
— Mentirosa.
— Vamos começar de novo? — perguntou, baixinho. Abriu a geladeira e pegou um pedaço de carne e alguns legumes, que colocou sobre o balcão. Não se conheciam o bastante para falar sobre o passado dela, nem pretendia começar a lamentar-se. Tinha muito o que fazer, e não desperdiçaria energia com lembranças tristes. Depois de temperar a carne, voltou a colocá-la na geladeira. Cortou os legumes cuidadosamente, tentando ignorar a presença máscula. Mas era impossível. O calor que emanava dele era tão forte, que parecia estar perto de uma fogueira.
— Está me observando.
— Como sabe?
— Posso sentir.
Será que sabia que ele também podia senti-la?
— E o que sente?
Lua parou. As palavras, murmuradas num tom suave, convidavam à intimidade, trazendo um desejo inesperado. O coração dela disparou.
— É como uma invasão. — Ela arrumou os legumes numa travessa, cobrindo-os com água. — E não gosto disso — completou, colocando-os na geladeira.
— É uma mulher muito linda Lua. Que homem não a olharia? Você sabe disso.
— Sim, sei como as pessoas valorizam a aparência — murmurou, desligando o forno.
— Eu também — declarou Arthur, num tom amargo.
— Então temos algo em comum. — Ela tirou a última assadeira do forno, colocando-a sobre o fogão, antes de virar-se.
Ele tinha desaparecido. Como se um vento frio a atingisse, soube que não estava mais ali.
Também não gosto disso, Arthur— gritou, para a casa vazia.
Não houve resposta, e nem ela esperava isso.
Arthur desceu pela escada de serviço trazendo os pratos do jantar. Depois de colocá-los na lavadora, pegou um biscoito na assadeira sobre o fogão. Mastigando, atravessou a sala de jantar e chegou à biblioteca, estranhando o ar frio que penetrava na casa. Ao entrar na sala de estar, parou de repente. Cada fibra do corpo dele reagiu ao vê-la. Lua estava na varanda, atrás da sala, e as portas francesas estavam completamente abertas. As mãos dela apoiavam-se na grade, e o roupão leve, verde-claro, flutuava ao sabor da brisa da noite com a lua clara e redonda. A frente dela, o mar batia no cais, iluminado apenas pelas luzes suaves que cercavam a casa.
Arthur poderia jurar que estava vendo um anjo. O vento erguia os cabelos Loiros, fazendo-os flutuar.
— Não é fantástico? — perguntou ela.
Ele enrijeceu, sentindo-se encurralado na própria casa.
— Não é? — insistiu, virando-se levemente na direção dele. Arthur sabia que não podia vê-lo claramente, com a luz.
— Gosta deste tempo?
Lua voltou a olhar o mar. Ao longe se viam relâmpagos.
— É meu favorito. Tempestades, trovões, chuva... Arthur percebeu que ela lhe dera as costas de propósito, dando-lhe a chance de se aproximar. O gesto o comoveu, mas ao mesmo tempo deixou-o inquieto. Será que ela viraria de repente e começaria a gritar? Ainda assim, reconheceu que não podia resistir ao desejo de se aproximar mais um pouco. Saindo para a varanda, encostou-se nas cortinas que voavam pelas portas abertas e que podiam lhe dar alguma proteção.
— Obrigado pelo jantar.
Ela deixara a bandeja do lado de fora da porta do quarto dele, numa mesinha que carregara para cima.
— Por nada. Não precisa comer lá em cima, sozinho, sr. Aguiar.
— O que pretende? Que jantemos como duas pessoas civilizadas?
— Por que não?
— Acho que já sabe a resposta.
— E o que devo dizer a Sofia? Sinto muito por ter perdido sua mãe, e olhe, na verdade não tem um pai. Apenas um benfeitor.
Continua...
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Bom Gente antes de postar, quero dar alguns avisos. *Eu li a história e adaptei para o casal LuAr. *Todos os créditos a autor...

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