- Não! - ela ofegou, empurrando-o. - Arthur, você não pode fazer isso.
Os olhos refletiam o desejo intenso que ele sentia.
- Quero pelo menos isso de você, Lua. Agora, deixe-me tê-la.
Ela quase cedeu. Até algo estranho acontecer com os olhos dele.
Eles escureceram e as pupilas se dilataram. Arthur ficou imóvel.
Com a respiração ofegante, ele fechou os olhos, como se estivesse lutando
contra um atacante invisível. Praguejando, afastou-se.
- Corra! - pediu.
Lua não hesitou. Saindo de baixo dele, agarrou a toalha e correu para
fora. Porém, não conseguiu deixá-lo.
Parando à porta, ela olhou para trás, vendo-o apoiar-se nas mãos e nos
joelhos e convulsionar, como se estivesse sendo torturado. Escutou-o golpear a
banheira com o punho, rosnando de dor.
Seu coração batia com força ao vê-lo lutar. Se ao menos soubesse o que
fazer...
Por fim, ele se prostrou na banheira. Aterrorizada e tremendo, ela deu
três passos para dentro do banheiro, pronta para correr se ele tentasse
alcançá-la.
Ele estava deitado de lado, com os olhos fechados. A respiração era
irregular, parecia esgotado. A água o atingia, colando os cabelos negros em sua
face.
Lua desligou o chuveiro, mas ele não se mexeu.
- Arthur?
Ele abriu os olhos.
- Eu assustei você?
- Um pouco. - ela respondeu com franqueza.
Inspirando profundamente, ele se sentou devagar, sem fitá-la. O olhar
estava focado em algo além de seu ombro.
- Não vou conseguir lutar contra isso. - ele falou após uma longa pausa.
Por fim, voltou o olhar para ela. - Estamos nos enganando, Lua. Deixe-me
possuir você enquanto ainda estou calmo.
- É isso mesmo o que quer?
Arthur rangeu os dentes.
Não, não era o que queria. Porém, o que queria estava além de seu
alcance.
Desejava coisas que os deuses nunca quiseram que ele obtivesse. Coisas
que não ousava nomear, porque nomeá-las tornava sua ausência ainda mais
intolerável.
- Eu gostaria de poder morrer.
Lua encolheu-se ao ouvir as palavras sinceras.
Como queria poder confortá-lo! Afastar aquela dor.
Continua...

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