quarta-feira, 15 de março de 2017

Amante da Fantasia - Capitulo 91



- Não! - ela ofegou, empurrando-o. - Arthur, você não pode fazer isso.


Os olhos refletiam o desejo intenso que ele sentia.


- Quero pelo menos isso de você, Lua. Agora, deixe-me tê-la.


Ela quase cedeu. Até algo estranho acontecer com os olhos dele.


Eles escureceram e as pupilas se dilataram. Arthur ficou imóvel.


Com a respiração ofegante, ele fechou os olhos, como se estivesse lutando contra um atacante invisível. Praguejando, afastou-se.


- Corra! - pediu.


Lua não hesitou. Saindo de baixo dele, agarrou a toalha e correu para fora. Porém, não conseguiu deixá-lo.


Parando à porta, ela olhou para trás, vendo-o apoiar-se nas mãos e nos joelhos e convulsionar, como se estivesse sendo torturado. Escutou-o golpear a banheira com o punho, rosnando de dor.


Seu coração batia com força ao vê-lo lutar. Se ao menos soubesse o que fazer...


Por fim, ele se prostrou na banheira. Aterrorizada e tremendo, ela deu três passos para dentro do banheiro, pronta para correr se ele tentasse alcançá-la.


Ele estava deitado de lado, com os olhos fechados. A respiração era irregular, parecia esgotado. A água o atingia, colando os cabelos negros em sua face.


Lua desligou o chuveiro, mas ele não se mexeu.


- Arthur?


Ele abriu os olhos.


- Eu assustei você?


- Um pouco. - ela respondeu com franqueza.


Inspirando profundamente, ele se sentou devagar, sem fitá-la. O olhar estava focado em algo além de seu ombro.


- Não vou conseguir lutar contra isso. - ele falou após uma longa pausa. Por fim, voltou o olhar para ela. - Estamos nos enganando, Lua. Deixe-me possuir você enquanto ainda estou calmo.


- É isso mesmo o que quer?


Arthur rangeu os dentes.


Não, não era o que queria. Porém, o que queria estava além de seu alcance.


Desejava coisas que os deuses nunca quiseram que ele obtivesse. Coisas que não ousava nomear, porque nomeá-las tornava sua ausência ainda mais intolerável.


- Eu gostaria de poder morrer.


Lua encolheu-se ao ouvir as palavras sinceras.


Como queria poder confortá-lo! Afastar aquela dor.



Continua...

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