sábado, 18 de março de 2017

Amante da fantasia - Cap. 103


Mel embaralhou as cartas e colocou três delas na mesa. Os olhos dela se arregalaram.


Ele não precisava que Mel as lesse. Podia ver as cartas por si mesmo: uma torre sendo atingida por um raio, três espadas penetrando um coração, um demônio segurando as correntes de duas pessoas.


- Tudo bem. - disse. - Eu nunca acreditei realmente que isso aconteceria.


- Não é isso o que elas dizem. - Mel sussurrou. - Mas você tem uma batalha infernal pela frente.


Ele riu com amargura.


- Com batalhas, eu posso lidar.


Mas era a dor no coração que o mataria.





Lua enxugou as lágrimas ao estacionar o carro quando chegou em casa. Cerrando os dentes, saiu e bateu a porta.


Para o inferno com Arthur! Ele podia ficar preso naquele livro por toda a eternidade. Ela não era um pedaço de carne para servir às necessidades dele.


- Como ele poderia... - procurou desajeitadamente a chave. - Como ele não poderia? - sussurrou, encontrando a chave e abrindo a porta.


Sua raiva esgotou-se. Estava sendo irracional e sabia disso. Não era culpa de Arthur que Paul tivesse sido um porco egoísta, nem que ela tivesse medo de ser usada. Estava culpando-o por algo de que ele não participara, e ainda assim...


Queria apenas alguém que a amasse. Alguém que quisesse ficar com ela.


Esperava que, ao ajudar Arthur, ele permanecesse ali e... Fechando a porta, ela balançou a cabeça. Não importava o quanto desejava que fosse diferente, aquilo não estava destinado a acontecer.


Escutara o que Ben tinha dito a respeito da vida de Arthur. E o que Arthur mesmo contara às crianças sobre a batalha. Lembrou-se da forma como ele atravessara a rua e salvara a vida daquele menino.


Arthur nascera e fora criado para liderar exércitos. Ele não pertencia ao seu mundo. Ele pertencia ao próprio mundo. Era egoísmo querer mantê-lo ao seu lado, como algum animal de estimação que resgatara.


Lua arrastou-se para cima, com o coração pesado.


Precisaria proteger-se dele. Era tudo o que podia fazer, pois, em seu íntimo, sabia que quanto mais o conhecesse mais se importaria com ele. E, se Arthur não tinha intenção de ficar, ela terminaria magoando-se.


Estava a meio caminho na escada, quando alguém bateu na porta da frente.


Por um instante, animou-se achando que poderia ser Arthur... até chegar à porta e ver o vulto de um homem pequeno na varanda. Abriu uma fresta na porta e ficou boquiaberta.


Era Rodney Carmichael.




Continua...

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