Mel embaralhou as cartas e colocou três delas na mesa. Os olhos dela se
arregalaram.
Ele não precisava que Mel as lesse. Podia ver as cartas por si mesmo:
uma torre sendo atingida por um raio, três espadas penetrando um coração, um
demônio segurando as correntes de duas pessoas.
- Tudo bem. - disse. - Eu nunca acreditei realmente que isso
aconteceria.
- Não é isso o que elas dizem. - Mel sussurrou. - Mas você tem uma
batalha infernal pela frente.
Ele riu com amargura.
- Com batalhas, eu posso lidar.
Mas era a dor no coração que o mataria.
Lua enxugou as lágrimas ao estacionar o carro quando chegou em casa.
Cerrando os dentes, saiu e bateu a porta.
Para o inferno com Arthur! Ele podia ficar preso naquele livro por toda
a eternidade. Ela não era um pedaço de carne para servir às necessidades dele.
- Como ele poderia... - procurou desajeitadamente a chave. - Como ele
não poderia? - sussurrou, encontrando a chave e abrindo a porta.
Sua raiva esgotou-se. Estava sendo irracional e sabia disso. Não era
culpa de Arthur que Paul tivesse sido um porco egoísta, nem que ela tivesse
medo de ser usada. Estava culpando-o por algo de que ele não participara, e
ainda assim...
Queria apenas alguém que a amasse. Alguém que quisesse ficar com ela.
Esperava que, ao ajudar Arthur, ele permanecesse ali e... Fechando a
porta, ela balançou a cabeça. Não importava o quanto desejava que fosse
diferente, aquilo não estava destinado a acontecer.
Escutara o que Ben tinha dito a respeito da vida de Arthur. E o que Arthur
mesmo contara às crianças sobre a batalha. Lembrou-se da forma como ele
atravessara a rua e salvara a vida daquele menino.
Arthur nascera e fora criado para liderar exércitos. Ele não pertencia
ao seu mundo. Ele pertencia ao próprio mundo. Era egoísmo querer mantê-lo ao
seu lado, como algum animal de estimação que resgatara.
Lua arrastou-se para cima, com o coração pesado.
Precisaria proteger-se dele. Era tudo o que podia fazer, pois, em seu
íntimo, sabia que quanto mais o conhecesse mais se importaria com ele. E, se Arthur
não tinha intenção de ficar, ela terminaria magoando-se.
Estava a meio caminho na escada, quando alguém bateu na porta da frente.
Por um instante, animou-se achando que poderia ser Arthur... até chegar
à porta e ver o vulto de um homem pequeno na varanda. Abriu uma fresta na porta
e ficou boquiaberta.
Era Rodney Carmichael.
Continua...

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