quinta-feira, 16 de março de 2017

Amante da fantasia - Cap. 100



Ben meneou a cabeça.


- Gostaria que alguém me desse um presente desses. Você sabe quanto isso vale?


- O meu peso em ouro, da última vez que chequei.


Ben riu alto, batendo a mão na mesa de tarô de Mel.


- Essa é boa! Esse era o resgate para reaver os generais capturados, certo?


- Apenas para aqueles covardes demais para morrer lutando.


Um novo respeito brilhou nos olhos de Ben, enquanto ele observava Arthur.


- Tem alguma ideia de quem possuía esse anel?


- Arthur da Macedônia. - Mel respondeu. - Já ouviu falar dele, Ben?


O queixo do homem caiu, e os olhos se arregalaram.


- Está falando sério? Você sabe quem ele era?


Mel fez uma expressão estranha. Presumindo que ela não sabia, Ben continuou falando:


- Tesius escreveu que Arthur seria o próximo Alexandre, o Grande. Arthur era filho de Diocles de Esparta, também conhecido como Diocles, o Açougueiro. Aquele homem fazia o Marquês de Sade parecer o Ronald McDonald. Dizem os boatos que Arthur nasceu de uma união entre Afrodite e o general, depois de Diocles ter salvado um de seus templos da profanação. A opinião aceita atualmente, claro, é a de que a mãe dele era, na verdade, uma das sacerdotisas de Afrodite.


- É mesmo? - Lua perguntou.


Arthur revirou os olhos, dizendo:


- Ninguém se importa com quem Arthur foi. O homem morreu há muito tempo.


Ben ignorou-o ao continuar ostentando seu conhecimento.


- Conhecido entre os romanos como Arthur Queiroga Bandeira de Aguiar... - Olhou para Lua e acrescentou, à guisa de explicação: - Arthur, o Grande Punidor. Ele e Kyrian da Trácia abriram um caminho de matança pelo Mediterrâneo, durante a Quarta Guerra Macedônia contra Roma. Arthur desprezava Roma e jurou que veria a cidade cair sob seu exército. Ele e Kyrian quase obtiveram êxito ao invadir Roma.


A mandíbula de Arthur se contraiu.


- Você sabe o que aconteceu com Kyrian da Trácia?


Ben assobiou baixinho.


- Ele não teve um final bonito. Foi capturado e crucificado pelos romanos em 147 antes de Cristo.


Arthur encolheu-se ao ouvir aquilo. Com os olhos perturbados, mexeu em seu anel.

- Aquele homem provavelmente foi um dos melhores guerreiros que já viveu. Ele amava a batalha como ninguém que eu tenha conhecido. - Meneou a cabeça. - Eu me lembro de uma vez em que Kyrian investiu seu coche de guerra contra os soldados inimigos, que estavam alinhados ombro a ombro, com os escudos à frente, desestruturando a formação romana. Isso permitiu que seus soldados os derrotassem, sofrendo poucas baixas. - Franziu o cenho. - Não acredito que tenham conseguido capturá-lo.


Ben deu de ombros com indiferença.


- Uma vez que Arthur desapareceu, Kyrian era o único general macedônio capaz de liderar um exército. Portanto, os romanos se dedicaram a persegui-lo.


- O que aconteceu com Arthur? - Lua indagou, imaginando o que os historiadores tinham a dizer sobre o assunto.


Arthur encarou-a.


- Ninguém sabe. - respondeu Ben. - É um dos grandes mistérios do mundo antigo. Você tem esse general que não pode ser derrotado nas armas por ninguém, e então, de repente, aos 32 anos, ele some sem deixar vestígios. - Ele bateu de novo a mão sobre a mesa de Mel. - Arthur foi visto pela última vez na batalha de Conjara. Em um movimento brilhante, ele fez Lívio ceder sua posição invencível. Foi uma das piores derrotas da história de Roma.


- Quem se importa? - Arthur resmungou.


Ben ignorou a interrupção.


- Após a batalha, Arthur supostamente enviou uma mensagem a Cipião, o Jovem, dizendo que se vingaria pela derrota que ele infligira aos macedônios. Aterrorizado, Cipião desistiu do serviço militar na Macedônia e voluntariou-se para lutar na Espanha. - Ben meneou a cabeça. - Mas antes que Arthur pudesse cumprir a ameaça, ele desapareceu. Sua família foi encontrada assassinada em casa. E é aí que as coisas ficam interessantes. - Ele olhou para Mel. - Os relatos macedônios dizem que ele foi mortalmente ferido por Lívio durante a batalha e que, sofrendo uma intolerável dor, cavalgou até sua casa para matar a família, impedindo-a de ser escravizada pelos inimigos. Já os relatos romanos dizem que Cipião enviou diversos soldados para atacar Arthur no meio da noite. Eles o mataram, assim como sua família, e então destroçaram seu corpo e esconderam os pedaços.


Arthur bufou.


- Cipião era um covarde. Ele nunca teria ousado atacar minha...


- Então - Lua interferiu, interrompendo Arthur antes que ele se entregasse -, o tempo está agradável, não?


- Cipião não era um covarde. - Ben afirmou. - Ninguém pode questionar o êxito dele na Espanha.


Lua reparou no ódio nos olhos de Arthur. Ben pareceu não notar.


- Meu jovem, esse seu anel tem um valor inestimável. Eu amaria saber como alguém pode conseguir um desses. Aliás, eu mataria para saber o que aconteceu com o proprietário original.


Lua trocou um olhar desconfortável com Mel, e Arthur sorriu com malícia para Ben.


- Arthur da Macedônia atraiu a fúria dos deuses e foi punido por sua arrogância.


- Essa é outra explicação, eu presumo. - O alarme do relógio de Ben soou. - Droga, preciso buscar minha esposa. - Ele se levantou e estendeu a mão para Arthur. - Não fomos adequadamente apresentados. Sou Ben Lewis.


- Arthur. - disse, apertando-lhe a mão.



Continua...

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