Ben meneou a cabeça.
- Gostaria que alguém me desse um presente desses. Você sabe quanto isso
vale?
- O meu peso em ouro, da última vez que chequei.
Ben riu alto, batendo a mão na mesa de tarô de Mel.
- Essa é boa! Esse era o resgate para reaver os generais capturados,
certo?
- Apenas para aqueles covardes demais para morrer lutando.
Um novo respeito brilhou nos olhos de Ben, enquanto ele observava Arthur.
- Tem alguma ideia de quem possuía esse anel?
- Arthur da Macedônia. - Mel respondeu. - Já ouviu falar dele, Ben?
O queixo do homem caiu, e os olhos se arregalaram.
- Está falando sério? Você sabe quem ele era?
Mel fez uma expressão estranha. Presumindo que ela não sabia, Ben
continuou falando:
- Tesius escreveu que Arthur seria o próximo Alexandre, o Grande. Arthur
era filho de Diocles de Esparta, também conhecido como Diocles, o Açougueiro.
Aquele homem fazia o Marquês de Sade parecer o Ronald McDonald. Dizem os
boatos que Arthur nasceu de uma união entre Afrodite e o general, depois de
Diocles ter salvado um de seus templos da profanação. A opinião aceita atualmente,
claro, é a de que a mãe dele era, na verdade, uma das sacerdotisas de Afrodite.
- É mesmo? - Lua perguntou.
Arthur revirou os olhos, dizendo:
- Ninguém se importa com quem Arthur foi. O homem morreu há muito tempo.
Ben ignorou-o ao continuar ostentando seu conhecimento.
- Conhecido entre os romanos como Arthur Queiroga Bandeira de Aguiar... - Olhou para Lua e acrescentou, à
guisa de explicação: - Arthur, o Grande Punidor. Ele e Kyrian da Trácia abriram
um caminho de matança pelo Mediterrâneo, durante a Quarta Guerra Macedônia
contra Roma. Arthur desprezava Roma e jurou que veria a cidade cair sob seu
exército. Ele e Kyrian quase obtiveram êxito ao invadir Roma.
A mandíbula de Arthur se contraiu.
- Você sabe o que aconteceu com Kyrian da Trácia?
Ben assobiou baixinho.
- Ele não teve um final bonito. Foi capturado e crucificado pelos
romanos em 147 antes de Cristo.
Arthur encolheu-se ao ouvir aquilo. Com os olhos perturbados, mexeu em
seu anel.
- Aquele homem provavelmente foi um dos melhores guerreiros que já
viveu. Ele amava a batalha como ninguém que eu tenha conhecido. - Meneou a
cabeça. - Eu me lembro de uma vez em que Kyrian investiu seu coche de guerra
contra os soldados inimigos, que estavam alinhados ombro a ombro, com os
escudos à frente, desestruturando a formação romana. Isso permitiu que seus
soldados os derrotassem, sofrendo poucas baixas. - Franziu o cenho. - Não
acredito que tenham conseguido capturá-lo.
Ben deu de ombros com indiferença.
- Uma vez que Arthur desapareceu, Kyrian era o único general macedônio
capaz de liderar um exército. Portanto, os romanos se dedicaram a persegui-lo.
- O que aconteceu com Arthur? - Lua indagou, imaginando o que os
historiadores tinham a dizer sobre o assunto.
Arthur encarou-a.
- Ninguém sabe. - respondeu Ben. - É um dos grandes mistérios do mundo
antigo. Você tem esse general que não pode ser derrotado nas armas por ninguém,
e então, de repente, aos 32 anos, ele some sem deixar vestígios. - Ele bateu de
novo a mão sobre a mesa de Mel. - Arthur foi visto pela última vez na batalha
de Conjara. Em um movimento brilhante, ele fez Lívio ceder sua posição
invencível. Foi uma das piores derrotas da história de Roma.
- Quem se importa? - Arthur resmungou.
Ben ignorou a interrupção.
- Após a batalha, Arthur supostamente enviou uma mensagem a Cipião, o
Jovem, dizendo que se vingaria pela derrota que ele infligira aos macedônios.
Aterrorizado, Cipião desistiu do serviço militar na Macedônia e voluntariou-se
para lutar na Espanha. - Ben meneou a cabeça. - Mas antes que Arthur pudesse
cumprir a ameaça, ele desapareceu. Sua família foi encontrada assassinada em
casa. E é aí que as coisas ficam interessantes. - Ele olhou para Mel. - Os
relatos macedônios dizem que ele foi mortalmente ferido por Lívio durante a
batalha e que, sofrendo uma intolerável dor, cavalgou até sua casa para matar a
família, impedindo-a de ser escravizada pelos inimigos. Já os relatos romanos
dizem que Cipião enviou diversos soldados para atacar Arthur no meio da noite.
Eles o mataram, assim como sua família, e então destroçaram seu corpo e
esconderam os pedaços.
Arthur bufou.
- Cipião era um covarde. Ele nunca teria ousado atacar minha...
- Então - Lua interferiu, interrompendo Arthur antes que ele se
entregasse -, o tempo está agradável, não?
- Cipião não era um covarde. - Ben afirmou. - Ninguém pode questionar o
êxito dele na Espanha.
Lua reparou no ódio nos olhos de Arthur. Ben pareceu não notar.
- Meu jovem, esse seu anel tem um valor inestimável. Eu amaria saber
como alguém pode conseguir um desses. Aliás, eu mataria para saber o que
aconteceu com o proprietário original.
Lua trocou um olhar desconfortável com Mel, e Arthur sorriu com malícia
para Ben.
- Arthur da Macedônia atraiu a fúria dos deuses e foi punido por sua
arrogância.
- Essa é outra explicação, eu presumo. - O alarme do relógio de Ben
soou. - Droga, preciso buscar minha esposa. - Ele se levantou e estendeu a mão
para Arthur. - Não fomos adequadamente apresentados. Sou Ben Lewis.
- Arthur. - disse, apertando-lhe a mão.
Continua...

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