Ele usava um terno marrom-escuro com uma camisa amarela e gravata
vermelha. Os cabelos negros e curtos estavam penteados com gel para trás, e ele
mostrava um sorriso radiante.
- Oi, Lua!
- Sr. Carmichael - ela falou friamente, embora seu coração batesse com
força. Havia algo indefinidamente assustador naquele homem pequeno e magro -, o
que está fazendo aqui?
- Eu só queria dizer um oi. Achei que poderíamos...
- O senhor precisa ir embora.
Ele franziu a testa.
- Por quê? Só quero falar com você.
- Porque eu não atendo pacientes em casa.
- Sim, mas eu não sou...
- Sr. Carmichael - disse com firmeza -, eu realmente preciso que vá
embora. Se não for, chamarei a polícia.
Impassível ante a raiva em sua voz, ele assentiu pacientemente.
- Ah, você deve estar ocupada. Entendo. Eu também tenho uma porção de
coisas para fazer. E se eu vier mais tarde? Podemos jantar.
Atordoada, ela o encarou.
- Não.
Ele sorriu.
- Vamos lá, Lua. Não seja assim. Você sabe que estamos destinados um ao
outro. Se você apenas me deixasse...
- Vá embora!
- Certo, mas eu voltarei. Temos um monte de coisas para falar.
Ele se virou e atravessou a varanda. Com o coração acelerado, ela
trancou a porta.
- Vou matar você, Luanne. - ela murmurou, dirigindo-se à cozinha.
Ao passar pela sala de estar, uma sombra na janela chamou-lhe a atenção.
Era Rodney.
Consternada, Lua pegou o telefone e chamou a polícia.
Eles levaram quase uma hora para chegar. Rodney ficou do lado de fora o
tempo todo, movendo-se de janela em janela para observá-la através das fendas
das cortinas. Apenas quando viu o carro da polícia parar diante da casa, ele
correu pelo quintal dos fundos e sumiu.
Lua inspirou profundamente para acalmar-se e deixou os policiais
entrarem.
Eles permaneceram ali tempo suficiente para lhe dizer que não havia nada
que pudessem fazer para manter o homem permanentemente afastado. O melhor que
ela faria seria obter uma ordem de restrição contra ele, mas isso seria inútil,
uma vez que fora requisitada para tratá-lo até que Luanne retornasse.
- Sinto muito - um dos policiais disse quando ela os acompanhou até a
porta -, mas ele não infringiu nenhuma lei que nos permita afastá-lo de uma
vez. Você poderia registrar uma queixa por invasão de propriedade, mas, a menos
que ele tenha antecedentes, não há muito que se possa fazer. - O jovem policial
lançou-lhe um olhar solidário.
- Sei que não é tranquilizador.
Podemos tentar patrulhar a área um pouco mais, porém o verão é realmente uma
época agitada para nós. Pessoalmente, eu aconselharia que fosse passar algum
tempo com uma amiga.
- Certo, obrigada.
Assim que eles partiram, Lua correu pela casa, assegurando-se de que
todas as portas e janelas estivessem trancadas.
Apreensiva, olhou ao redor, como se esperasse que Rodney fosse entrar
por um buraco na parede, como uma barata. Se ao menos soubesse se ele poderia
ser perigoso...
O relatório do hospital estadual mencionava seu comportamento fora do
padrão por intrometer-se nas vidas das mulheres, mas nunca ferira nenhuma delas
fisicamente.
Ele apenas amedrontava as vítimas com sua persistência irracional e, por
esse motivo, fora encaminhado ao hospital para uma avaliação. A psicóloga
dentro de Lua dizia que não havia nada particularmente perigoso a respeito de
Rodney, mas a mulher nela estava assustada, de qualquer forma.
A última coisa que desejava era virar estatística. Não, ela não podia
ficar ali esperando que ele voltasse e a encontrasse sozinha.
Correndo para cima, foi fazer as malas.
Continua...

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