Afagou os cabelos castanhos de Lua, deliciando-se com a forma como
envolviam sua mão. Seu olhar recaiu sobre o anel, que brilhava debilmente sob a
luz.
Conseguia visualizá-lo coberto de sangue, sentindo o modo como se
comprimia ao seu dedo quando brandia a espada em batalha. Aquele anel
significara tudo para ele, e não o obtivera facilmente. Ele o conquistara com o
suor de seu corpo e com as feridas infligidas à sua carne.
Custara muito, mas valera a pena.
Por um tempo, se não amado, tinha sido respeitado. Em sua vida mortal,
aquilo significara tudo para ele.
Suspirando, encostou a cabeça na almofada do sofá atrás de si e fechou
os olhos. Quando finalmente adormeceu, não foram as faces do passado que
assombraram seus sonhos, mas sim a visão de olhos azuis rindo com ele, e de
cabelos castanhos espalhando-se sobre seu peito, enquanto uma voz terna e suave
lia palavras que lhe eram familiares e, de alguma forma, estranhas.
Lua espreguiçou-se languidamente ao despertar. Abrindo os olhos,
surpreendeu-se ao perceber que sua cabeça estava sobre o ventre de Arthur e que
a mão direita dele estava enterrada em seus cabelos.
Pela respiração profunda, sabia que ele ainda estava dormindo. Fitou-o.
Com o rosto relaxado, ele parecia quase pueril. E foi então que percebeu que
ele não fora atormentado pelo pesadelo.
Arthur dormira a noite inteira.
Sorrindo, ela se levantou devagar tentando não despertá-lo. Não
funcionou. Assim que se afastou, os olhos dele se abriram e a encararam
ardentemente.
- Lua. - ele sussurrou.
- Não queria acordá-lo.
- Não tem problema.
Lua apontou para as escadas com o polegar.
- Eu ia subir para tomar um banho. Preciso trancar a porta?
Ele a percorreu com os olhos.
- Não. Acho que consigo me comportar.
Ela sorriu.
- Acho que já ouvi isso antes.
Arthur não respondeu. Ela subiu e tomou uma ducha rápida.
Quando acabou, foi ao quarto e encontrou Arthur deitado na cama,
folheando o exemplar da Ilíada. Ao olhar para ela, Arthur a viu usando apenas a
toalha.
Aquelas covinhas se revelaram e a luxúria refletiu-se no belo rosto,
propagando ondas de calor por todo o seu corpo.
- Vou só pegar as minhas roupas e...
- Não. - disse Arthur em um tom autoritário.
- Não? - ela indagou, descrente.
A face de Arthur suavizou-se.
- Prefiro que se vista aqui.
- Arthur...
- Por favor.
Lua mexeu-se desconfortavelmente. Nunca fizera algo daquele tipo na
vida.
- Por favor... - ele pediu de novo, com um leve sorriso.
Que mulher seria capaz de recusar algo a um olhar como aquele? Ela o
fitou de viés.
- Não ouse rir. - avisou, abrindo a toalha de forma hesitante.
Arthur encarou-a com um olhar faminto.
- Pode ter certeza de que a última coisa em que estou pensando é em rir.
Continua...

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