sábado, 25 de março de 2017

Amante da fantasia - Cap. 111


Afagou os cabelos castanhos de Lua, deliciando-se com a forma como envolviam sua mão. Seu olhar recaiu sobre o anel, que brilhava debilmente sob a luz.


Conseguia visualizá-lo coberto de sangue, sentindo o modo como se comprimia ao seu dedo quando brandia a espada em batalha. Aquele anel significara tudo para ele, e não o obtivera facilmente. Ele o conquistara com o suor de seu corpo e com as feridas infligidas à sua carne.


Custara muito, mas valera a pena.


Por um tempo, se não amado, tinha sido respeitado. Em sua vida mortal, aquilo significara tudo para ele.


Suspirando, encostou a cabeça na almofada do sofá atrás de si e fechou os olhos. Quando finalmente adormeceu, não foram as faces do passado que assombraram seus sonhos, mas sim a visão de olhos azuis rindo com ele, e de cabelos castanhos espalhando-se sobre seu peito, enquanto uma voz terna e suave lia palavras que lhe eram familiares e, de alguma forma, estranhas.



Lua espreguiçou-se languidamente ao despertar. Abrindo os olhos, surpreendeu-se ao perceber que sua cabeça estava sobre o ventre de Arthur e que a mão direita dele estava enterrada em seus cabelos.


Pela respiração profunda, sabia que ele ainda estava dormindo. Fitou-o. Com o rosto relaxado, ele parecia quase pueril. E foi então que percebeu que ele não fora atormentado pelo pesadelo.


Arthur dormira a noite inteira.


Sorrindo, ela se levantou devagar tentando não despertá-lo. Não funcionou. Assim que se afastou, os olhos dele se abriram e a encararam ardentemente.


- Lua. - ele sussurrou.


- Não queria acordá-lo.


- Não tem problema.


Lua apontou para as escadas com o polegar.


- Eu ia subir para tomar um banho. Preciso trancar a porta?


Ele a percorreu com os olhos.


- Não. Acho que consigo me comportar.


Ela sorriu.


- Acho que já ouvi isso antes.


Arthur não respondeu. Ela subiu e tomou uma ducha rápida.


Quando acabou, foi ao quarto e encontrou Arthur deitado na cama, folheando o exemplar da Ilíada. Ao olhar para ela, Arthur a viu usando apenas a toalha.


Aquelas covinhas se revelaram e a luxúria refletiu-se no belo rosto, propagando ondas de calor por todo o seu corpo.


- Vou só pegar as minhas roupas e...


- Não. - disse Arthur em um tom autoritário.


- Não? - ela indagou, descrente.


A face de Arthur suavizou-se.


- Prefiro que se vista aqui.


- Arthur...


- Por favor.


Lua mexeu-se desconfortavelmente. Nunca fizera algo daquele tipo na vida.


- Por favor... - ele pediu de novo, com um leve sorriso.


Que mulher seria capaz de recusar algo a um olhar como aquele? Ela o fitou de viés.


- Não ouse rir. - avisou, abrindo a toalha de forma hesitante.


Arthur encarou-a com um olhar faminto.


- Pode ter certeza de que a última coisa em que estou pensando é em rir.




Continua...

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