Ela se materializou à sua frente. Embora as roupas fossem modernas, ela tinha os cabelos presos em estilo grego, no alto da cabeça, com madeixas caindo sobre os ombros. Os olhos azuis eram gentis quando ela sorriu.
- Vim em nome da sua mãe.
- Ela ainda não consegue me encarar?
Atena desviou o olhar. Arthur sentiu vontade de rir.
Por que ele ainda se incomodava em ter esperanças de que a mãe quisesse vê-lo? Já deveria estar acostumado. Atena passou o dedo por uma das madeixas escuras, ao observá-lo com um estranho olhar que revelava certa tristeza.
- Você precisa saber que eu o teria ajudado se soubesse o que aconteceu. Você era meu general preferido.
De súbito, ele compreendeu o que lhe acontecera tantos séculos atrás.
- Você me manipulou contra Príapo, não foi?
Ele viu a culpa refletida em seu rosto um instante antes de Atena ocultá-la.
- O que está feito, está feito.
Com os lábios torcendo de raiva, ele a encarou.
- É mesmo? Por que você me enviou para aquela batalha se sabia que Príapo me odiava?
- Porque eu sabia que você podia vencer, e eu odiava os romanos. Você era o único general que eu tinha que poderia derrotar Lívio, o que você fez. Nunca tive tanto orgulho de você quanto no momento em que o decapitou.
A amargura dominou-o. Não conseguia acreditar no que escutava.
- Agora você me diz que está orgulhosa?
Ela ignorou suas palavras.
- Sua mãe e eu falamos com Cloto a seu favor.
Arthur deteve-se ao ouvir aquilo. Cloto era a Parca encarregada pelas vidas. A fiandeira dos destinos.
- E?
- Se conseguir romper a maldição, poderá retornar para a Macedônia, para o mesmo dia em que foi preso no pergaminho.
- Eu posso voltar? - ele repetiu, incrédulo.
- Mas não poderá mais lutar. Se fizer isso, mudará a história. Se o mandarmos de volta, terá que jurar recolher-se à sua aldeia.
Havia sempre uma armadilha. Ele deveria saber disso, em vez de pensar, mesmo por um instante, que elas o ajudariam.
- Para quê?
- Você estará em sua própria época. Em um mundo que conhece. - Olhou ao redor. - Ou pode ficar aqui, se preferir. A escolha é sua.
Arthur bufou.
- Que escolha!
- Melhor isso do que não ter nenhuma.
Era mesmo? Ele não tinha mais certeza.
Continua...

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