sábado, 18 de março de 2017

Amante da fantasia - Cap.102


Arthur encolheu-se, como se ela o tivesse estapeado.


- O que você quer de mim, Lua? Por que desejaria que eu ficasse aqui?


Ela não sabia como responder. Tudo o que sabia era que não desejava que ele partisse.


Queria que ele ficasse. Mas apenas se ele desejasse.


- Quer saber? - ela falou, zangada com o pensamento de que ele a abandonaria. - Eu não quero que você fique. Na verdade, por que você não vai para casa com Mel por alguns dias? - Olhou para a amiga e perguntou: - Você se importaria?


A boca de Mel se abriu e se fechou, como a de um peixe tentando respirar. Arthur estendeu a mão para tocá-la.


- Lua...


- Não me toque! - Ela afastou o braço. - Você me dá nojo.


- Lua! - Mel a repreendeu. - Não acredito que você...


- Está tudo bem. - disse Arthur, com a voz vazia e fria. - Pelo menos ela não cuspiu na minha cara em seu último suspiro.


Ela o magoara. Lua via isso nos olhos dele, mas Arthur também a magoara. Terrivelmente.


- Vejo você mais tarde. - disse para Mel, e deixou Arthur em pé ali.


Mel soltou um longo suspiro, olhando para Arthur enquanto ele observava Lua afastar-se.


Ele tinha o corpo inteiro rígido e a mandíbula pulsava violentamente.


- Na mosca! Diretamente no coração e nos nervos.


Arthur fitou-a com um olhar hostil.


- Conte-me, oráculo, o que eu deveria ter dito?


Mel embaralhou as cartas.


- Não sei. - ela respondeu, pensativa. - Acho que você nunca pode errar sendo honesto.


Arthur esfregou os olhos ao sentar-se na cadeira diante da mesa de Mel. Não quisera magoar Lua. E nunca se esqueceria do olhar em seu rosto ao cuspir nele aquelas palavras.


"Não me toque. Você me dá nojo."


Esforçou-se para respirar em meio à agonia que oprimia seu peito. As Parcas ainda zombavam dele. Devia ser um dia entediante no Olimpo.


- Quer que eu leia as cartas para você? - Mel indagou, desviando seus pensamentos do passado.


- Claro. Por que não?


Ela não podia dizer-lhe nada que já não soubesse.


- Qual é a sua pergunta?


- Algum dia eu... - Arthur interrompeu-se antes de perguntar a mesma coisa que uma vez indagara ao Oráculo de Delfos. - Algum dia eu vou romper a maldição?



Continua...

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