Arthur encolheu-se, como se ela o tivesse estapeado.
- O que você quer de mim, Lua? Por que desejaria que eu ficasse aqui?
Ela não sabia como responder. Tudo o que sabia era que não desejava que
ele partisse.
Queria que ele ficasse. Mas apenas se ele desejasse.
- Quer saber? - ela falou, zangada com o pensamento de que ele a
abandonaria. - Eu não quero que você fique. Na verdade, por que você não vai
para casa com Mel por alguns dias? - Olhou para a amiga e perguntou: - Você se
importaria?
A boca de Mel se abriu e se fechou, como a de um peixe tentando
respirar. Arthur estendeu a mão para tocá-la.
- Lua...
- Não me toque! - Ela afastou o braço. - Você me dá nojo.
- Lua! - Mel a repreendeu. - Não acredito que você...
- Está tudo bem. - disse Arthur, com a voz vazia e fria. - Pelo menos
ela não cuspiu na minha cara em seu último suspiro.
Ela o magoara. Lua via isso nos olhos dele, mas Arthur também a magoara.
Terrivelmente.
- Vejo você mais tarde. - disse para Mel, e deixou Arthur em pé ali.
Mel soltou um longo suspiro, olhando para Arthur enquanto ele observava Lua
afastar-se.
Ele tinha o corpo inteiro rígido e a mandíbula pulsava violentamente.
- Na mosca! Diretamente no coração e nos nervos.
Arthur fitou-a com um olhar hostil.
- Conte-me, oráculo, o que eu deveria ter dito?
Mel embaralhou as cartas.
- Não sei. - ela respondeu, pensativa. - Acho que você nunca pode errar
sendo honesto.
Arthur esfregou os olhos ao sentar-se na cadeira diante da mesa de Mel.
Não quisera magoar Lua. E nunca se esqueceria do olhar em seu rosto ao cuspir
nele aquelas palavras.
"Não me toque. Você me dá nojo."
Esforçou-se para respirar em meio à agonia que oprimia seu peito. As
Parcas ainda zombavam dele. Devia ser um dia entediante no Olimpo.
- Quer que eu leia as cartas para você? - Mel indagou, desviando seus
pensamentos do passado.
- Claro. Por que não?
Ela não podia dizer-lhe nada que já não soubesse.
- Qual é a sua pergunta?
- Algum dia eu... - Arthur interrompeu-se antes de perguntar a mesma
coisa que uma vez indagara ao Oráculo de Delfos. - Algum dia eu vou romper a
maldição?
Continua...

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