Mel observou Arthur andar de um lado para o outro diante de sua banca, enquanto ela lia as cartas para um turista.
Oh, Deus, ela seria capaz de admirar aquele homem andando o dia inteiro!
Ele tinha um porte tão maravilhoso que lhe provocava o desejo de ir para casa e
fazer coisas pecaminosas com o marido.
Repetidas vezes, as mulheres se aproximavam e Arthur as afastava. Era
até engraçado assistir às mulheres pavoneando-se ao redor dele enquanto ele
permanecia alheio às suas tramas.
Nunca soubera que um homem assim existia. No entanto, até mesmo ela
podia enjoar-se de chocolate se comesse em demasia. E, a julgar pela forma como
as mulheres reagiam a Arthur, tinha certeza de que ele tivera cólicas por causa
do abuso.
E o pior era que ele parecia terrivelmente atormentado.
Mel sentia-se péssima pelo que fizera com os dois. A princípio, sua
ideia parecera impecável. Se tivesse pensado um pouco melhor... Como ela
poderia saber quem fora Arthur? Se pelo menos tivesse reconhecido o nome dele...
Contudo, sua especialidade era a Grécia da Idade do Bronze, o que era
história antiga até mesmo na época de Arthur. Além disso, ela realmente não
pensara no homem no livro como uma pessoa real. Imaginara que ele fosse algum
tipo de gênio da lâmpada, sem um passado ou sentimentos.
Minha nossa, quando ela se atrapalhava, era em grande estilo!
Meneando a cabeça, observou-o recusar outra oferta de uma atraente
ruiva.
O homem era um ímã de estrógeno.
Ela terminou a leitura de cartas e Arthur aguardou alguns instantes,
antes de ir até sua mesa.
- Leve-me até Lua.
Não era um pedido. Ele dissera aquilo em um tom de voz que ela tinha
certeza de que ele já usara para ordenar que as tropas se preparassem para a
batalha.
- Ela disse...
- Não me importa o que ela disse. Preciso vê-la.
Mel embrulhou as cartas no lenço de seda negro.
Que diabos! Ela não precisava mesmo de uma melhor amiga.
- Será o seu enterro.
- Quem me dera. - ele falou em um tom tão baixo que ela não teve certeza
de ter escutado corretamente.
Arthur ajudou-a a fechar a banca e a levar seu carrinho até o abrigo que
ela alugava para guardá-lo. Logo, dirigiam-se à casa de Lua.
Continua...

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