- Onde ele está agora?
- Não sei. A polícia chegou e ele sumiu. Por isso eu estava indo embora.
Ia ficar em um hotel.
- Você ainda quer ir embora?
Ela meneou a cabeça. Com Arthur ali, sentia-se protegida.
- Vou pegar a sua mala. - disse.
Pegando-a no carro, fechou o porta-malas.
Lua voltou para dentro de casa, seguida por Arthur.
Eles passaram o restante do dia em uma agradável tranquilidade.
Naquela noite, estavam acomodados no chão diante do sofá, apoiados nas
almofadas. Lua deitava-se com a cabeça no ventre firme de Arthur, enquanto lia
o restante de Peter Pan e fazia o máximo possível para não reparar em como ele
cheirava bem. E em como era bom senti-lo tão perto.
Precisou de toda a força de vontade para não se virar e explorar aquele
peito musculoso com os lábios. Ele passava a mão lentamente por seus cabelos
enquanto a observava.
Oh, como aquele toque a incendiava, fazendo-a desejar tirar-lhe as
roupas e provar cada pedacinho dele!
- Fim. - ela anunciou, fechando o livro.
O olhar ardente no rosto de Arthur roubou-lhe o fôlego. Lua esticou-se,
arqueando as costas de leve contra ele.
- Quer que eu leia mais alguma coisa?
- Por favor. Sua voz me acalma.
Ela o encarou por um instante, e então sorriu. Não se lembrava do último
elogio que a tocara tão profundamente quanto aquele.
- Eu guardo a maioria dos livros no meu quarto. - Ela se levantou. -
Venha. Vou lhe mostrar meu tesouro especial e, em seguida, vamos encontrar mais
alguma coisa.
Ele a seguiu até o andar de cima.
Lua não deixou de notar o olhar desejoso que ele lançou à cama, e depois
a ela. Preferindo ignorar o fato, ela abriu a porta do closet.
Acendendo a luz, passou a mão com carinho nas prateleiras que seu pai
construíra anos atrás. Fora muito engraçado vê-lo montar as prateleiras junto
com o melhor amigo. Ambos estudiosos, tinham feito uma bagunça terrível, e seu
pai ficou com duas unhas pretas antes que o projeto fosse concluído.
Sua mãe o provocara o tempo todo, chamando-o de meu marceneiro
profissional. Porém, ele não se importara, e o olhar que ostentava no rosto
quando orgulhosamente terminara a tarefa e colocara seus livros nas prateleiras
estava indelevelmente gravado em seu coração.
Ela adorava esse quarto. Era ali que realmente sentia o amor dos pais.
Era para lá que ia ao fugir de qualquer problema ou aflição. Cada livro no
closet era uma lembrança especial, e eles significavam o mundo para Lua.
À esquerda, olhou para Shanna, que dera início ao seu vício por
romances. The Wolfling, que a apresentara à ficção científica. E o estimado
Bimbos of the Death Sun, que fora seu primeiro livro de mistério.
Os romances antigos de seus pais também estavam ali, assim como três cópias
dos livros didáticos que seu pai escrevera antes de ela nascer.
Aquele era seu santuário especial, e Arthur era a primeira pessoa, além
de seus pais, que ela deixava entrar ali.
Continua...

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