sábado, 25 de março de 2017

Prometida a um vampiro - Cap. 66



– Bom, até que enfim você saiu da garagem, como queria – provoquei. – Não acredito que viva desse jeito. – Arthur deu um risinho, apoiado em meus travesseiros de cetim cor-de-rosa.

No meu quarto.

 Mamãe tinha insistido para que ele se mudasse para dentro de casa até que sua perna ficasse boa. O gesso estava apoiado no cachorro-quente de pelúcia.

 – É como viver num casulo fofo, feito de algodão-doce. – Ele fez uma careta. – É rosa demais.

– Gosto de rosa. Arthur fungou.

– O rosa é somente o primo patético e débil do vermelho.

– Bom, não é para sempre. Você vai voltar logo para seu calabouço escuro com as armas enferrujadas. – Olhei o quarto em volta. – Viu meu iPod?

– Refere-se a isso? Arthur localizou o aparelho entre camadas de lençóis e o ergueu.

– É. – Estendi a mão. – Me dá.

– Ah, não posso ficar com ele? É tão chato ficar confinado aqui. E estou gostando de explorar suas preferências musicais. Lá vamos nós.

– Por que não compra um?

– Mas o seu já tem Black Eyed Peas – zombou ele.

 – Não seja idiota.

– Gosto deles. Estou falando sério. – Um sorriso diabólico atravessou seu rosto. – “My humps, my humps, my humps!” Minha bunda, minha bunda, minha bunda! Quem não iria gostar disso? Arranquei o iPod de sua mão e ele riu. Eu ri também.

– Se você não estivesse todo arrebentado...

– Faria o quê? – Ele agarrou meu pulso com uma velocidade espantosa para quem estava com as costelas partidas. – Iria me bater até eu pedir clemência? Só nos seus sonhos.

 É. Às vezes. Nos sonhos.

Quero dizer, eu não sonhava que batia nele. Mas ultimamente Arthur vinha tendo mais participações especiais no meu sono. Em casamentos. Em cavernas escuras. À luz trêmula de velas. Ele me soltou, ficando sério.
– Eu nunca agradeci a você apropriadamente. – Ele se levantou um pouquinho, ajeitando-se, e se contraiu de dor com o movimento. – Por ter cuidado de Fera, por ter ficado comigo. Você foi muito corajosa.

Mudei de posição também, tentando não esbarrar na perna dele.

– Sinto muito por ela ter sido sacrificada. Arthur olhou pela janela, com a boca encurvada para baixo.

– Você fez o que pôde. Mas acho que algumas coisas são perigosas demais para viver.

– Você tentou domá-la – acrescentei, sem jeito. – Funcionou durante um tempo.

– Não era da natureza dela ser domada. No fim, todos somos fiéis à nossa natureza. À nossa criação. Ficamos sentados em silêncio durante algum tempo e me perguntei no que Arthur estaria pensando. Na égua ou nele mesmo?

– Parabéns pelo segundo lugar – disse ele. Acompanhei seu olhar até o quadro de cortiça na parede, onde eu havia pendurado a fita vermelha de vice-campeã ao lado de um punhado de outras azuis das competições de matemática que eu vencera. Claro, Faith Crosse tinha ficado com a fita azul. Meu desempenho havia sido bom, mas não o suficiente.

– Você merecia a azul – confessei a Arthur, séria.

– Que estranho eu ter sido “banido por toda a vida” da competição – observou ele, com ironia. – Eles criaram uma regra nova, ficou sabendo? Só para mim. “É proibido levar animais ferozes para eventos públicos.” Fui o primeiro transgressor. Um pioneiro em violar a lei, por assim dizer. – Ele riu, tossiu forte e colocou as mãos sobre as costelas.

– Desgraça.

 Fiquei mexendo no iPod.

– Arthur?

– O que foi, Roberta? Encarei seus olhos negros.

– Eu estava lá. Naquela noite.

– Eu sei.

– Sabe?

– Você chegou perto de mim tarde da noite. Segurou minha mão.

Continua...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71