- Talvez. - respondeu, embora sem admitir a ideia. Não tinha intenção de
desistir de seu trabalho. - Então, aonde você gostaria de ir primeiro?
Ele deu de ombros com indiferença.
- Tanto faz.
- Vamos ao aquário. Pelo menos lá dentro tem ar-condicionado.
Pegando o braço dele, conduziu-o pelo estacionamento e pelo calçadão até
o aquário. Arthur permaneceu em silêncio enquanto ela pagava os ingressos e o
levava até o interior do edifício.
Ele não falou mais nada até eles chegarem ao túnel de água que permitia
que observassem as diferentes espécies de criaturas marinhas em seu hábitat
natural.
- Incrível! - Arthur sussurrou, encantado, observando a enorme arraia
que nadava sobre a sua cabeça.
O olhar dele lembrou-a o de uma criança. A luz que brilhava nos olhos
verdes aqueceu o coração de Lua. De repente, seu pager começou a tocar.
Ela praguejou, até ver o número. Alguém estava ligando de seu
consultório em um sábado? Estranho.
Tirando o celular da bolsa, ela telefonou para lá.
- Oi, Lua. - Beth cumprimentou-a ao atender o telefone. - Escute, estou
aqui no consultório. Alguém invadiu o lugar ontem à noite.
- Não! Quem faria uma coisa dessas?
Lua viu o olhar curioso que Arthur dirigiu-lhe. Sorriu de leve para ele
enquanto ouvia a resposta de Beth Livingston, a psiquiatra que compartilhava o
consultório com ela e com Luanne.
- Não tenho ideia. Mandaram uma equipe de peritos e eles estão aqui
recolhendo impressões digitais. Pelo que vi, nada importante foi levado. Você
tem algo de valor na sua sala?
- Só o meu computador.
- Ainda está aqui. Algo mais? Dinheiro ou outra coisa?
- Não. Nunca deixo nada de valor aí.
- Espere um pouco. O policial quer falar com você.
Lua esperou até ouvir a voz de um homem.
- Dra. Blanco?
- Sim.
- Sou o policial Silva. Parece que alguém levou o seu arquivo de
contatos e algumas pastas. Tem ideia de quem poderia querer isso?
- Não. Precisa que eu vá até aí?
- Acho que não. Basicamente, estamos recolhendo digitais, mas se pensar
em algo, por favor, telefone para a gente.
Ele devolveu o telefone para Beth.
- Você precisa de mim? - Lua perguntou.
- Não. Não há nada que você possa fazer. Na verdade, é bastante chato.
- Certo. Não deixe de me ligar se precisar de alguma coisa.
- Farei isso.
Lua desligou o telefone e colocou-o na bolsa.
- Há algo errado? - Arthur perguntou.
- Alguém invadiu meu consultório ontem à noite.
Continua...

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